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As bonecas são muito mais antigas do que se
possa ter idéia, tão antiga quanto a
história do homem e provavelmente as suas
primeiras aparições foram na Pré-História (
pequenas bonecas esculpidas em pedras).
No Egito Antigo, na época do Médio Império,
e durante muito tempo ainda, elas não eram
feitas para crianças, e sim para adultos
poderem enfeitar o ambiente e até mesmo como
forma de espantar os maus espíritos.
Em algumas regiões da África, quando as
mulheres ficavam grávidas elas carregavam na
cintura uma boneca, se quisessem que seu
filho fosse menino, a boneca tinha que ter
características masculinas, se menina, a
boneca tinha que ter colares e brincos.
No Brasil, as primeiras bonecas chegaram com
a família real em 1808, as crianças ricas da
corte brincavam com bonecas importadas, e as
mais pobres com bonecas de pano de
fabricação caseira, chamadas de "bruxinhas
de pano", que foram ganhando aos poucos
roupas, indumentárias e características de
pessoas e da região, tornando-se, com o
passar do tempo, uma marca forte da arte
popular e do folclore.
Essas bonecas de pano serviram de modelo
para Emília, a boneca de pano mais famosa do
Brasil, personagem dos livros de Monteiro
Lobato.
A época de maior esplendor na fabricação de
bonecas aconteceu do século XIX, quando as
bonecas eram feitas principalmente para os
adultos, pois reproduziam fielmente as
figuras da corte e da sociedade. Em finais
do século XIX, surgiu a idéia de uma boneca
falante. Com o advento do cinema e
desenvolvimento do desenho animado, pessoas
e personagens passaram quase que
obrigatoriamente a ter seus equivalentes em
forma de boneca.
No entanto, mesmo com tantos avanços, as
bonecas de pano nunca saíram de moda,
sobreviveram e hoje todo lar tem uma boneca
de pano e todos tem uma história para contar
delas.
As bonecas de pano desenvolvem na criança o
instinto materno, o amor e a inocência
infantil. Nos adultos, desperta o
encantamento e a eterna criança que existe
em cada um de nós.
Confeccionar uma boneca de pano, ou qualquer
outra peça de artesanto, é muito mais que um
trabalho, e a construção de um sonho, que
começa na escolha do material até o último
botãozinho, o desenho do rostinho, o detalhe
da roupinha e finalmente a escolha do nome,
o batizado, que dá vida e sentimento aquele
objeto. E só termina quando faz a alegria de
uma criança ou adulto. Nada recompensa mais
que o brilho e entusiasmo daquele que leva
meu trabalho pra sua casa.
Tania
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